Era uma manhã qualquer e Mon Fergussen estava indo à fonte para se refrescar carregando uma toalha nos ombros, fazia calor. Ele agachou-se, pegou um pouco de água nas mãos e jogou no rosto e nuca, pegou a toalha e enxugou o rosto. Então se sentou à beira da fonte e viu que Sebastien brincava e pulava um pouco a frente. Sebastien era um garoto imperativo e muito inteligente. Entre a catequese e as aulas de luta gostava de correr e pular pela imensidão da catedral apesar de Fergussen proibir inúmeros lugares que ele possa ir. Prestando um pouco mais de atenção Fergussen viu que ele estava brincando com uma lagarta. Dizia coisas e pulava em volta dela. Fergussen ficou parado olhando, tentando entender o que fazia Sebastien. Então em um certo momento Sebastien pega uma pedra e ataca a lagarta, esta vindo a falecer na hora.
- Sebastien! – Grita o mestre em tom que não parecia estar nem um pouco feliz com a situação. Sebastien não havia percebido que o mestre o assistia e se assustara com o grito, olhou pra trás e foi caminhando com a cabeça baixa em direção ao mestre. Fergussen se levanta e quando o jovem se aproxima ele se agacha para poder olha-lo nos olhos.
- Sebastien, por que fez isso? – perguntou o mestre com voz amena
- Eu estava brincando com ela – respondeu o garoto sem olhar o mestre nos olhos.
- Sebastien, você não tinha o direito de tirar a vida daquela lagarta por uma brincadeira. Tirar a vida de inocentes não é uma coisa que guerreiros façam. Guerreiros lutam pela justiça não pela devastação. Você tem que saber pelo que você luta e não é pela devastação de todo ser vivo. Lutar sem uma razão ou pela devastação é mostrar-se vazio por dentro como um vaso de barro com paredes finas que a cada vida arrancada abre uma nova rachadura. Uma hora irá quebrar. Filho, você luta pela justiça e pela vida. Prometa-me que nunca mais fará isso. -
Aquelas palavras atravessaram o coração de Sebastien como uma flecha ardendo em fogo. Tinha um nó em sua garganta e não conseguiu responder na primeira tentativa. Engoliu a seco e tentou novamente.
- Eu prometo, mestre.
- Olhe para mim, filho. – Disse o mestre erguendo o queixo de Sebastien
- Você vai se tornar um grande guerreiro e proteger a todos nós um dia. Só depende de você. – O garoto esboçou um sorriso. – Agora vá se preparar que a aula de luta já vai começar. – O garoto saiu correndo sem olhar para trás.
O mestre ficara feliz, sabia que havia acrescentado algo importante para o garoto.
- Não acha o garoto muito novo para tais palavras, Mon? – disse uma voz atrás de Fergussen. [Continua]